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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

Miguel Torga

 

 

 

 

 

   Perfil:

  •           Ano de Nascimento: 1907
  •           Ano de Óbito: 1995 
  •           País: Portugal
  •           Nome: Miguel Torga

 

Escritor português natural, de São Martinho de Anta, Vila Real. Proveniente de uma família humilde, teve uma infância rural dura, que lhe deu a conhecer a realidade do campo, sem bucolismos, feita de árduo trabalho contínuo. Após uma breve passagem pelo seminário de Lamego, emigrou com 13 anos para o Brasil, onde durante cinco anos trabalhou na fazenda de um tio, em Minas Gerais, como capinador, apanhador de café, vaqueiro e caçador de cobras. De regresso a Portugal, em 1925, concluiu o ensino liceal e frequentou em Coimbra o curso de Medicina, que terminou em 1933. Exerceu a profissão de médico em São Martinho de Anta e em outras localidades do país, fixando-se definitivamente em Coimbra, como otorrinolaringologista, em 1941.

Ligado inicialmente ao grupo da revista Presença, dele se desligou em 1930, fundando nesse mesmo ano, com Branquinho da Fonseca (outro dissidente), a Sinal, de que sairia apenas um número. Em 1936, lançou outra revista, Manifesto, também de duração breve.

A sua saída da Presença reflecte uma característica fundamental da sua personalidade literária, uma individualidade veemente e intransigente, que o manteve afastado, por toda a vida, de escolas literárias e mesmo do contacto com os círculos culturais do meio português. A esta intensa consciência individual aliou-se, no entanto, uma profunda afirmação da sua pertença à natureza humana, com que se solidariza na oposição a todas as forças que oprimam a energia viva e a dignidade do homem, sejam elas as tiranias políticas ou o próprio Deus. Miguel Torga, tendo como homem a experiência dos sofrimentos da emigração e da vida rural, do contacto com as misérias e com a morte, tornou-se o poeta do mundo rural, das forças telúricas, ancestrais, que animam o instinto humano na sua luta dramática contra as leis que o aprisionam. Nessa revolta consiste a missão do poeta, que se afirma tanto na violência com que acusa a tirania divina e terrestre, como na ternura franciscana que estende, de forma vibrante, a todas as criaturas no seu sofrimento. Mas essa revolta, por outro lado, não corresponde a uma arreligiosidade ou recusa da transcendência.
A sua obra, recheada de simbologia bíblica, encontra-se, antes, imersa num sentido divino que transfigura a natureza e dignifica o homem no seu desafio ou no seu desprezo face ao divino. A ligação à terra, à região natal, a Portugal, à própria Península Ibérica e às suas gentes, é outra constante dos textos do autor. Ela justifica o profundo conhecimento que Torga procurou ter de Portugal e de Espanha, unidos no conceito de uma Ibéria comum, pela rudeza e pobreza dos seus meios naturais, pelo movimento de expansão e opressões da história, e por certas características humanas definidoras da sua personalidade. A intervenção cívica de Miguel Torga, na oposição ao Estado Novo e na denúncia dos crimes da guerra civil espanhola e de Franco, valeu-lhe a apreensão de algumas das suas obras pela censura e, mesmo, a prisão pela polícia política portuguesa.

Contista exímio, romancista, ensaísta, dramaturgo, autor de mais de 50 obras publicadas desde os 21 anos, estreou-se em 1928 com o volume de poesia Ansiedade. Também em poesia, publicou, entre outras obras, Rampa (1930), O Outro Livro de Job (1936), Lamentação (1943), Nihil Sibi (1948), Cântico do Homem (1950), Alguns Poemas Ibéricos (1952), Penas do Purgatório (1954) e Orfeu Rebelde (1958). Na ficção em prosa, escreveu Pão Ázimo (1931), Criação do Mundo. Os Dois Primeiros Dias (1937, obra de fundo autobiográfico, continuada em O Terceiro Dia da Criação do Mundo, 1938, O Quarto Dia da Criação do Mundo, 1939, O Quinto Dia da Criação do Mundo, 1974, e O Sexto Dia da Criação do Mundo, 1981), Bichos (1940), Contos da Montanha (1941), O Senhor Ventura (1943, romance), Novos Contos da Montanha (1944), Vindima (1945) e Fogo Preso (1976).

É ainda autor de peças de teatro (Terra Firme e Mar, 1941; O Paraíso, 1949; e Sinfonia, poema dramático, 1947) de volumes de impressões de viagens (Portugal, 1950; Traço de União, 1955) e de um Diário em dezasseis volumes, publicado entre 1941 e 1994. Notável pela sua técnica narrativa no conto, pela expressividade da sua linguagem, frequentemente de cunho popular, mas de uma força clássica, fruto de um trabalho intenso da palavra, conseguiu conferir aos seus textos um ritmo vigoroso e original, a que associa uma imagística extremamente sugestiva e viva.

Várias vezes premiado, nacional e internacionalmente, foram-lhe atribuídos, entre outros, o prémio Diário de Notícias (1969), o Prémio Internacional de Poesia (1977), o prémio Montaigne (1981), o prémio Camões (1989), o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (1992) e o Prémio da Crítica, consagrando a sua obra (1993).
Em 2000, é publicado Poesia Completa

 

Excerto da Obra "Bichos":

São horas de te receber no portaló da minha pequena arca de Noé. Tens sido de uma constância tão espontânea e tão pura a visitá-la, que é preciso que me liberte do medo de parecer ufano da obra, e venha delicadamente cumprimentar-te uma vez ao menos. Não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grato e correcto.
Este livro teve a boa fortuna de te agradar, e isso encheu-me sempre de júbilo. Escrevo para ti desde que comecei, sem te lisonjear, evidentemente, mas tanbém sem ser insensível às tuas reacções. Fazemos parte do mesmo presente temporal e, quer queiras, quer não, do mesmo futuro intemporal. Agora, sofremos as vicissitudes que o momento nos impõe, companheiros na premente realidade quotidiana; mais tarde, seremos o pó da história, o exemplo promissor ou maldito, o pretérito que se cumpriu bem ou mal. Se eu hoje me esquecesse das tuas angústias e das minhas, seríamos ambos traidores a uma solidariedade de berço, umbilical e cósmica; se amanhã não estivéssemos unidos nos factos fundamentais que a posteridade há-de considerar, estes anos decorridos ficariam sem qualquer significação, porque onde está ou tenha estado um homem é preciso que esteja ou tenha estado toda a humanidade. Ligados assim para a vida e para a morte, bom foi o acaso te fizesse gostar destes Bichos. Apostar literariamente no provir é um belo jogo, mas é um jogo de quem já se resignou a perder o presente. Ora eu sou teu irmão, nasci quando tu nasceste, e prefiro chegar ao juízo final contigo ao lado, na paz de uma fraternidade de raiz, a ter de entrar lá solitário como um lobo tresmalhado.
Ninguém é feliz sozinho, nem mesmo na eternidade. De resto, um conto que te agradou, tem algumas probabilidades de agradar aos teus netos. Porque não hão-de eles tirar ninhos quando forem crianças? E, se tal não acontecer, paciência: ficarei um pouco triste, mas sempre junto a ti, firme, na consolação simples e honrada de ter sido ao menos homem do meu tempo.
És, pois, dono como eu deste livro, e, ao cumprimentar-te à entrada dele, nem pretendo sugerir-te que o leias com a luz da imaginação acesa, nem atrair o teu olhar para a penumbra da sua simbologia. Isso não é comigo, porque nenhuma árvore explica os seus frutos, embora goste que lhos comam. Saúdo-te apenas nesta alegria natural, contente por ter construído uma barcaça onde a nossa condição se encontrou, e onde poderemos um dia, se quiseres, atravessar juntos o Letes, que é, como sabes, um dos cinco rios do inferno, cujas águas bebem as sombras, fazendo-as esquecer o passado.

Cronologia            

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1907 : Nasce na aldeia de S. Martinho de Anta (concelho de Sabrosa) em 12 de Agosto, Adolfo Correia Rocha.
1913 : Inicia a instrução primária na escola de S. Martinho de Anta e tem como professor o senhor Botelho.
1918 : Matricula-se no Seminário de Lamego.
1920 : Parte para o Brasil onde vai trabalhar na fazenda de Santa Cruz (Estado de Minas Gerais), propriedade de um tio paterno. Escreve aí os seus primeiros versos.
1925 : Regressa a Portugal e retoma os estudos, fazendo em apenas três anos os sete anos de liceu.
1928 : Matricula-se na Faculdade de Medicina de Coimbra e publica o seu primeiro livro Ansiedade.
1930 : Rompe com a "Presença", conjuntamente com Branquinho da Fonseca e Edmundo Bettencourt, depois de aí ter colaborado um ano. Publica Rampa (versos).
1933 : Licencia-se em Medicina
1934 : Publica A Terceira Voz (prosa) adoptando pela primeira vez o pseudónimo de Miguel Torga, em homenagem a Miguel Cervantes e a Miguel de Unamuno.
1936 Publica O Outro Livro de Job (poesia) e funda com Albano Nogueira a revista "Manifesto".
1937 : Publica a Criação do Mundo (1º e 2º Dias) e inicia uma viagem pela Europa.
1939 : Publica A Criação do Mundo (4º Dia) sendo logo apreendida. No seu consultório em Leiria, Miguel Torga é detido e conduzido à prisão do Aljube, em Lisboa.
1940 : Casa com a belga Andrée Jeanne Françoise Crabbé , a 27 de Julho, em Coimbra. Fixa consultório no Largo da Portagem desta mesma cidade. Publica Bichos.
1941 : Publica Contos da Montanha, que é apreendido, Diário (volume I) e as peças de teatro Terra Firma e Mar.
1945 : Edita o romance Vindima. A sua esposa André Crabbé Rocha é nomeada professora da Faculdade de Letras de Lisboa.
1948 : Morre sua mãe e publica o livro de poemas Nihil Sibi.
1953 : Aparece o 6º volume do Diário. Viaja de novo pela Europa.
1954 : Edita Penas do Purgatório (poesia). É-lhe atribuído o prémio Almeida Garrett que recusa. Profere conferência em Minas e Rio de Janeiro.
1955 : Surge Traço de União (prosa). Nasce sua filha Clara Rocha.
1956 : Sai o 7º volume do Diário. Morre seu pai.
1958 : Publica Orfeu Rebelde e é homenageado pelos seus colegas do curso médico de 1933.
1959 : Apreensão pela censura do oitavo volume do Diário que acabava de sair.
1960 : É proposto como candidato ao Prémio Nobel da Literatura por um professor da Universidade de Montpellier. Os escritores portugueses vão preferir outro candidato, Aquilino Ribeiro.
1965 : Edita Poemas Ibéricos.
1969 : Recebe o prémio literário "Diário de Notícias". Publica no jornal "A República" de 29 Outubro os poemas Esperança e Um Poema.
1973 : Sai o décimo primeiro volume de Diário e participa numa viagem a Angola e Moçambique. 1976 Publica Fogo Preso. É galardoado com o Prémio Internacional de Poesia da XII Bienal de Poesia de Knokke Heist na Bélgica.
1978 : Novamente proposto ao Prémio Nobel. Recebe a Medalha de Honra da Associação Internacional de Reitores. Pelos seus cinquenta anos de actividade literária é homenageado em Lisboa na sede da Fundação Gulbenkian.
1980 : É galardoado com o Prémio Morgado Mateus ex aequo com Carlos Drummond de Andrade.
1981 : Publica o sexto Dia de A Criação do Mundo. É distinguido com o prémio Montaigne, patrocinado pela Fundação F.V.S. de Hamburgo.
1989 : Recebe o "Prémio Camões", o principal galardão literário em língua portuguesa.
1990 : Sai o décimo quinto volume do Diário. É homenageado em Coimbra pelo Goeth Institute e pela Academia de Coimbra a propósito dos 700 anos da Universidade.
1991 : Novamente proposta para candidato ao Prémio Nobel pela Associação Portuguesa de Escritores.
1993 : Publica o décimo sexto e último volume do Diário.
1995 : Morre a 17 de Janeiro, em Coimbra, e é sepultado numa campa rasa em S. Martinho de Anta.

 

Bibliografia

 

Poesia
  Ansiedade - 1928
Rampa - 1930
Tributo - 1931
Abismo - 1932
O Outro Livro de Job - 1936
Lamentação - 1943
Libertação - 1944
Odes - 1946
Nihil Sibi - 1948
Cântico do Homem - 1950
Alguns Poemas Ibéricos - 1952
Penas do Purgatório - 1954
Orfeu Rebelde - 1958
Câmara Ardente - 1962
Poemas Ibéricos - 1965
Antologia Poética - 1981

Prosa
  Pão Ázimo - 1931
A Terceira Voz - 1934
Bichos - 1940
Contos da Montanha - 1941
O Senhor Ventura - 1943
Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes) - Conferência, 1941
Rua, Coimbra - 1942
O Porto - Conferência, 1944
Portugal, Coimbra - 1950
Pedras Lavradas - 1951
Novos Contos da Montanha - 1944
Vindima - 1945
Traço de União - 1955
Fogo Preso - 1976
A Criação do Mundo - Os dois Primeiros Dias - 1937
A Criação do Mundo - O Terceiro Dia - 1938
A Criação do Mundo - O Quarto Dia - 1939
A Criação do Mundo - O Quinto Dia - 1974
A Criação do Mundo - O Sexto Dia - 1981

Teatro
  Terra Firme, Mar - 1941
Sinfonia - 1947
O Paraíso - 1949

Poesia e prosa
  Diário I - 1941
Diário II - 1943
Diário III - 1946
Diário IV - 1949
Diário V - 1951
Diário VI - 1953
Diário VII - 1956
Diário VIII - 1959
Diário IX - 1964
Diário X - 1968
Diário XI - 1973
Diário XII - 1977
Diário XIII - 1983
Diário XIV - 1987
Diário XV - 1990
Diário XVI - 1993

Fontes:

http://www.astormentas.com/din/biografia.asp?autor=Miguel+Torga

http://nescritas.nletras.com/anobreindece/torgaprosa/archives/2010_02.html

http://nescritas.nletras.com/anobreindece/biografia.htm

http://www.viajarcom.org/miguel_torga/bibliografia.htm

http://www.viajarcom.org/miguel_torga/cronologia.htm

 

  Daniel Maia

  Marco Neves

  André Alves

  Rui Costa

  Tiago Leiria

 

 

 

 

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